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Archive for abril \28\UTC 2014

Muitas vezes eu resisto ao que os outros me indicam. Não existem muitas pessoas, mesmo entre aquelas que me conhecem bem, que saibam realmente do que eu posso ou não gostar. Geralmente me indicam coisas que eu acabo não gostando tanto, e isso acaba decepcionando alguns. Também não sou muito fã da crítica, ou do povo, deixo de ir atrás daquilo que todos comentam. Não é coisa de ser mainstream, de querer ser do contra, apenas acho que talvez não vá gostar.

Geralmente estou certo, mas em algumas poucas vezes eu erro. E nessas vezes eu adoro estar errado.

Nestes últimos dias peguei a série House of Cards para assistir. É uma daquelas séries que todos diriam que eu deveria assistir, é sobre política, então eu iria gostar. Enfim, não me interessei quando apareceu no netflix, deixei para lá. Vi que houve uma segunda temporada, mas deixei para lá. Somente agora, não por nenhum motivo especial, resolvi assistir. E como me surpreendi. Achei a série perfeita, absurdamente e absolutamente perfeita. Uma série que realmente teria sido feita para mim.

Um político americano, um deputado, que tem um projeto de poder e utiliza de todos e quaisquer meios para atingir seus objetivos (desde que ele compreenda que os meios não vão prejudicar os fins). Uma escala incrível, um final (2º temporada) perfeito. E a série me deixou apaixonado.

Porém, mais apaixonado fiquei pelo casal. Claire e Francis. Ah, um power couple, um casal direcionado pelo poder e para o poder. Um casal que não apenas se ama, mas que também participa dos planos um do outro. Um casal com problemas, com alguns desvios que talvez não os tornassem ideais, mas ainda sim um casal perfeito.

Pela primeira vez, acho, vi na tela uma representação do tipo de casal que gostaria de fazer parte. Eles representam o tipo de casal que eu sempre quis ter e que, infelizmente, nunca tive. Um casal que está ali um para o outro, que apoia um ao outro, que respeita um ao outro, que protege um ao outro, que confia um no outro, um casal que sabe onde quer chegar e fará de tudo para isso. Era algo assim que eu queria, é algo assim que quero.

É óbvio que eu não sou nenhum Francis e não acharia uma Claire. Tenho meus defeitos, tenho meus problemas, mas sei que com a pessoa certa eles seriam minimizados, se tornariam irrelevantes ou, até mesmo, seriam sanados. Não que eu precise de alguém para resolver meus problemas, mas claro que tudo fica mais fácil quando na companhia de pessoa certa. Não que também exista uma pessoa certa…

E a questão é esta, não existe a pessoa certa. Haverá alguém que no final poderá se tornar a certa, mas enfim. Algumas pessoas até parecem terem as qualidades que as tornariam um membro adequado de um casal assim, mas relacionamentos são complicados e não-relacionamentos são até piores. São tantas as coisas que podem fazer dar certo ou errado, são tantos os detalhes que podem fazer de um dia perfeito ou infernal. É tudo tão complexo para apenas “deixar rolar”. Algumas pessoas ainda olham para o céu esperando que os astros lhe digam o que fazer, como fazer, o que esperar. Eu sempre preferi deixar o meus destino nas minhas mãos, mesmo sabendo que isso significa que tudo o que ocorre ocorreu por minha escolha e que, assim, tudo o que passo, tenho ou não tenho, foram reflexos da minha escolha. Me parece mais inteligente aceitar que se a vida é perfeita ou a vida é uma merda, foi você que fez ela assim. Outros ainda acham que o destino está escrito, que há pouca possibilidade de manobra.

No final das contas, a série acaba mostrando uma realidade sobre as relações, sejam elas relações sociais, afetivas, profissionais ou políticas. Todas elas não são nada menos do que castelos de cartas…

… basta apenas um movimento em falso para tudo desmoronar.

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Eu o conheci como conheci tantos outros garotos com quem me diverti. Através de um aplicativo qualquer, em um dia qualquer começamos a conversar, nada de muito diferente, sempre o mesmo script, não se pode exigir muito destes aplicativos mesmo. Foi no final de 2013, ele tinha uma viagem marcada com os amigos, então não marcamos nada naquele momento. Eu tive uma viagem no começo de Janeiro, então só voltamos a conversar depois que voltei. Ele não lembrava de ter conversado comigo, afinal, com tantos contatos que fazemos é realmente complicado lembrar de um rosto qualquer.

Marcamos de sair em um dia em que ele estaria próximo de casa, ele me esperaria perto de um colégio. Próximo a hora marcada começou a chover, pensei em desistir, mas para que desistir se existe guarda-chuva? O peguei e fui ao seu encontro. Cheguei no local, vi seu carro, acenei e entrei. Resolvemos ir tomar um açaí, coisa que não costumo fazer, e isso nos levou para um pouco longe de onde nos encontramos, tomamos o açaí e conversamos sobre nossas viagens, foi bom, mas achei meio sem propósito dado onde parece que gostaríamos de chegar. Depois disso resolvemos parar com o carro em um lugar e ficamos juntos, e nisto começou a chover. Depois de um tempo juntos ele me levou para casa. Dois dias depois resolvemos nos encontrar e ficar mais tempo juntos, e assim foi pelos próximos dias.

Novamente, como um padrão tão clássico para mim, algo que seria apenas mais uma coisinha começou a se tornar algo diferente. Comecei a sentir algo por ele, apesar dele não seguir os estilos dos outros que estavam disponíveis, algo me fez acreditar que talvez ele fosse diferente. Talvez pela idade praticamente a mesma que a minha, por ele ter um carreira, por ter planos, por parecer adulto. Vindo de um relacionamento onde fui engano por alguém mais jovem, por ter confiado e sonhado e ter visto a confiança quebrada e os sonhos despedaçados, talvez por isto alguém assim parecesse tão diferente e valendo uma tentativa. Com o padrão vem o jeito de agir e, por tal, deixei de sair, deixei de ficar com outras pessoas, já que prefiro me focar naquela que pode ser algo especial, algo diferente e dispensei diversas pessoas. Mas, por uma questão que até agora não entendo bem ele sempre me disse que éramos livres, não estávamos em algo sério e que, portanto, não deveria haver fidelidade ou exclusividade. Eu poderia continuar a ficar com qualquer um, ele poderia ficar com qualquer um. E isto era dito sempre, a opção de ficar com alguém, o poder de ficar com outros era sempre mencionado, eventualmente – três vezes acredito – seguido de um “mas eu apenas estou com você”. É engraçado, mais as pessoas não compreendem que o poder, se não for utilizado, deixa de ser um poder e que, por tal, aqueles que poder tem vão o utilizar, se não por outra coisa apenas pelo simples fato de terem o poder.

Fiquei três semanas, as três semanas iniciais, sem fazer absolutamente nada com ninguém, afinal, não era necessário. Não sentia vontade, mesmo com todas as tentações, ah e que tentações, que apareciam. Não iria colocar em risco algo especial por alguém que não seria mais do que algumas horas. Mas continuava ouvindo que éramos livres, que podíamos fazer tudo e, então, acabei beijando uma pessoa em uma balada, um garoto até muito bonito, muito do meu estilo, e não significou nada, não tive prazer, foi algo básico, mecânico, sem valor, mas não foi ruim, claro. E, em outro dia, acabei por fazer a mesma coisa em outro lugar, e por qual razão? Eu apenas podia e, por acaso, aconteceu. Pensei em não fazer, mas, já que era liberado e, diga-se de passagem, ele poderia estar a fazer o mesmo – apesar de dizer o contrário – porque não?

Percebi, então, que não queria mais fazer isto, não havia razão, apenas a possibilidade. Eis que os contatos continuam, afinal, ele usava os aplicativos, não havia cessado desde que nós conhecemos, e eu também não deixei de utilizar. E uma coisa é certa: sempre haverá alguém interessante que aparecerá. E apareceram dois. Um que podia ser um cara interessante para transar, o outro que parecia ser perfeito para ficar. Bom, já que estamos com a liberdade – mesmo que antecipada – vamos a utilizar. E resolvi transar com um e conhecer o outro. O sexo foi normal, nada de especial, um sexo que não repetiria a não ser que não houvesse outras possibilidades e todos sabem que sempre haverá outros. E fiquei com o outro garoto e, este sim, me fez pensar.

Ele era tudo o que sempre quis. Jovem, muito bonito, o formato de olhos que gosto, o tipo de corpo que gosto, o estilo que gosto. Um tipo de cara que eu nunca achei que falaria comigo e que, por tantos anos, realmente não falaram. Depois de tantos anos sendo rejeitado, ou melhor, ignorado por este tipo de cara um deles responde minhas mensagens, troca whatsapps e começa a conversar. E não, ele também queria se encontrar comigo. E isto me colocou em cheque, afinal, estava com a pessoa que poderia ser especial – mas que sempre fez questão de mostrar o quão éramos livres – e isto poderia ser problemático, ao mesmo tempo em que em pensava o porque deveria desperdiçar uma chance que raramente tive apenas por acreditar que devia uma exclusividade ou uma fidelidade àquele que, apesar de afirmar que não ficava com outros, dizia que podíamos ficar?

Decidi encontrar tal garoto, e devo ser sincero, isto ocorreu – por coincidência – no mesmo dia em que transei com o outro. E, devo acrescentar, a coincidência se deu pois o garoto, tão lindo e tudo o mais, acreditava que, por eu não ter mantido contato com ele durante o final de semana (pois estava com aquele que devia ser especial), eu não tinha interesse. Oras, pela primeira vez desde que me entendo como um ser humano alguém que eu acho lindo e que tem todo o estilo que gosto acaba por achar que eu não o quero, quando o resto de todo este tempo geralmente eles não me queriam. Que mudança incrível, que reforço para o ego, e que interessante. Expliquei para ele que não havia dado um dia para nos encontrarmos pois estava ocupado e marcamos um cinema em um terça-feira. Na segunda, esta em que transei com o outro, durante a noite ele me envia uma mensagem dizendo que passaria pela rua da minha casa. Achei tão estranho isso, apesar de morarmos perto, não haveria razão dele passar por aqui. Mas ele queria me encontrar e, apesar do adiantado da hora, resolvi sair de casa e o encontrar. E ele era melhor pessoalmente do que por foto, muito bonito mesmo e tudo aquilo que realmente me apeteceu durante os anos. Andamos e conversamos e sentamos em uma rua para conversar. Depois de muita timidez minha e alguns frases bestas nos beijamos. E foi muito gostoso. Perguntei a razão daquele encontro, já que sairíamos no outro dia e a resposta me surpreendeu: “saindo hoje você ia me ver, me conhecer e saber se iria querer sair comigo amanhã”. Talvez falte um pouco de autoconfiança ou segurança nele, talvez ele não perceba que ele é fisicamente muito atraente, mas novamente um garoto que eu babaria em minha recente juventude estava preocupado com o que eu acharia dele. Ah, como isso também é bom, apesar de tudo.

Fomos ao cinema no outro dia, ficamos juntos no cinema, nos beijamos e tudo o mais. Saímos do cinema, andamos, conversamos e ele foi para a faculdade. Quando saiu da faculdade me mandou mensagem dizendo que queria me encontrar, eu aceitei e fui o buscar no ponto de ônibus perto de casa. Andamos, conversamos, sentamos no mesmo lugar e tudo foi interessante. Mas algo me chamava a atenção, percebi durante estas vinte e quatro horas que ele poderia se apegar muito rápido, que talvez ele estivesse atrás – mesmo que não imediatamente – de algo que eu não poderia oferecer. Não poderia oferecer a ele algo que estava “guardando” para a pessoa que acreditava ser especial. E, por isso, tive que decidir entre deixar as coisas rolarem com ele e continuar com o ser especial até o momento em que seria obrigatório fazer uma escolha ou fazer uma escolha já e sofrer as consequência.

Não poderia enganar ele, não poderia deixar com que ele eventualmente se apegasse, se apaixonasse ou acreditasse que algo poderia ocorrer entre nós, mesmo que tudo isto fosse apenas algo que o tempo faria o pensar. Não poderia fazer com ele o que já fizeram tanto comigo. Não obrigaria alguém a passar três semanas comigo para que depois eu desaparecesse do nada ou explicasse que desde o começo havia outra pessoa. E contei para ele que eu já estava com alguém, que não era sério, que havia liberdade, mas que eu gostaria de saber o que iria ocorrer e que, por tal, eu não poderia continuar com ele nesta situação, a não ser que ele aceitasse (pois a esperança ainda reside que milagres podem acontecer). A resposta dele me impressionou mais uma vez, apesar de me fazer sentir um pouco mal comigo mesmo, ele havia dito que não aceitaria migalhas dos outros, que ele merecia alguém que estivesse com ele e só com ele. Uma resposta que me fez considerar que, se fosse outros tempos, esse garoto realmente seria alguém para tentar – apesar de que se padrões fossem seguidos o resultado eu já saberia de antemão.

Naquele momento fiz minha escolha. Escolhi ver o que poderia acontecer com aquele cara que me parecia especial. Por um acaso, no final de semana desta mesma semana que narro, acabamos por comparecer ao aniversário de um amigo meu e o cara especial disse que não gostaria de passar a noite comigo, o que achei estranho. Acabamos conversando sobre isto, discutindo algumas coisas e ele me levou para a casa dele. No caminho discutimos mais e ele, ao sair do carro para abrir o seu portão, acabou falando algo que era próximo de “você devia ter pensado melhor nas suas escolhas”. Ironicamente, isto foi dito alguns dias depois de eu ter feito minha escolha, de ter escolhido ficar com ele e apenas com ele, por mais que houvesse o poder e a oportunidade de ficar com outros, independente dele utilizar ou não o mesmo poder e oportunidade, eu ficaria só com ele, não parecia valer a pena ficar com outro. Mas ouvir uma frase que questiona uma escolha dessa não é agradável aos ouvidos e ele me disse que continuaríamos a conversar no quarto. No quarto conversamos, não brigamos, foi uma conversa franca e honesta, ele falou o que ele entendia, o que achava, o que lhe incomodava e eu fiz o mesmo. E resolvi dizer a ele que o escolhi, que tive a oportunidade de ficar com alguém que me parecia ser perfeito, mas que eu preferia ficar com ele e só com ele. Que eu havia escolhido entre o tipo de relacionamento que sempre tive e o tipo de relacionamento que não tive e gostaria de tentar. Ele não se pronunciou de forma negativa, apenas disse que eu havia – e não foram exatamente essas as palavras – “passado no teste”, já que havia pego a oportunidade de ficar com outros e nisto percebi quem realmente eu queria.

Mal sabia eu que isto, apesar da aceitação que parecia haver, tinha desencadeado uma série de questionamentos na cabeça dele. Questionamentos que versavam sobre se valia a pena ficar comigo, se ficar apenas comigo era o caminho e tudo mais. Até então, se eu estava livre para isto tudo, ele também, eu escolhi aproveitar, ele não, mas era direito dele escolher aproveitar. Porém, na terça-feira subsequente um amigo, que não o é mais, resolveu testar a fidelidade deste cara especial. Fidelidade que não deveria existir, dado que não havia nada sério. E este teste causou grandes confusões, fez com que este infeliz perdesse um amigo importante, fez com que o cara especial achasse que eu penso ou faço o mesmo, apenas por ter um amigo desequilibrado que fez isto, e ele somou este teste a todos os questionamentos que ele estava fazendo. E daí surgiram as famosas DRs, as discussões de relacionamento.

Ele talvez não tenha percebido, mas ele mudou depois disto. Eu tentei explicar de todas as formas que a culpa não era minha, mas ele parece que não aceitou. Ele me informou que não ficaria apenas comigo, que se quisesse utilizaria a liberdade que tinha, e que eu também tenho, e que veria se realmente gosta de mim. Eu aceitei, não pois preciso de alguém ao meu lado ou não posso achar outra pessoa, mas pela razão de que se eu tive a oportunidade de fazer isto e verificar quem eu realmente queria, ele também teria o mesmo direito. Nas semanas que passaram ele não quis dormir comigo nos finais de semana, pois ele não quer se sentir obrigado a fazer isto sempre, ele quer o tempo dele, afinal, ele trabalha demais e precisa de um tempo apenas para ele. O que não deixa de ser lógico ou adequado, mas não esteve dentro dos relacionamentos que tive e me causa estranheza, claro, é necessário adaptação. Talvez ele não tenha entendido que tudo isto leva tempo. E logo para ele parecia que eu o cobro demais, que quero demais, e ele ainda não sabe o que sente por mim. E as DRs o fazem questionar mais ainda.

Neste final de semana nós iríamos nos encontrar. Ao invés da noite, a tarde. Ele teria um compromisso familiar a noite e gostaria de passar a noite sozinho. Aceitei, não sem não gostar disto, mas aceitei. Hoje ele escolheu ir ao parque da Independência, já que estava um dia lindo. Andamos pelo parque, quietos, pois eu estava desanimado com tudo isto que ocorre. Sentamos nas escadas do monumento, discutimos nosso relacionamento. Ouvi coisas que me desagradaram muito, que chegaram a me magoar. Talvez tenha dito coisas que o tenham magoado, ou o chateado, mas ele não demonstra tantos sentimentos assim. Não tínhamos muito tempo, dado os compromissos dele, e desperdiçamos o dia discutindo. Mas toda discussão ensina algo.

Eu disse gostar dele, disse que gostaria de tentar fazer tudo dar certo, que acredito que ele seja especial. Ele disse que não sabe se eu sou especial, se quer continuar comigo, se poderá dar certo. Mais uma vez as coisas pareciam fora de sincronia.

Ele olhou no relógio e decidiu ir embora, no caminho, ainda por dentro do parque, continuei a falar e ele apenas a ouvir. Já eram quase 18 horas da tarde.

A falta de respostas, ou talvez o excesso de discussão me fez questionar as certezas que tinha, as escolhas que fiz…

.,,Enquanto o pôr do sol ocorria no parque da Independência comecei a perceber que logo estaria muito mais do que livre.

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