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Archive for novembro \20\UTC 2013

“Peguei minhas coisas da mão dele, peguei de volta a aliança e saí andando, com o sol a minha frente, sem olhar para trás.”

Com esta frase encerrava mais uma história de um termino de namoro. Mais um relacionamento que por mim duraria muitos anos, mas que, por diversos motivos, teve que acabar. E, como sempre, com ele eu acabei. Mas esta frase suscitou um questionamento de minha querida amiga que ouvia a história: “Qual o motivo de você nunca olhar para trás?”

E esta pergunta não era sobre não olhar para trás ao sair andando, era, na verdade, uma pergunta sobre os motivos de eu nunca considerar voltar com um ex-namorado. Ela se impressionou com o fato de que todas as vezes em que eu terminei um namoro ela não ouvirá falar sobre uma possível volta. Fiquei muito pensativo quanto a isto, realmente nunca considerei, pelo menos não ao ponto de externalizar, voltar ou tentar voltar para uma pessoa que eu já tivesse tido um relacionamento. A explicação que dei para isto, naquele momento, era até muito simples. A ideia principal é de que uma vez que eu decido terminar, o relacionamento está definitivamente acabado. Isto significa, por uma questão lógica, que eu posso não aceitar o término vindo da outra pessoa, que eu talvez tenha a necessidade de dar a última palavra. Mas, na verdade, é apenas uma questão de tentar. Eu tento, com todas as forças e com todas as possibilidades, manter o relacionamento, fazer com que ele melhore, que ele possa ter uma sobrevida. Quando percebo que realmente não existe mais a fazer, que nada poderá ajudar, aí eu decido terminar e, por isto, é que quando eu termino é porque não tem volta.

Mas, uma segunda questão fica a ser respondida: se o relacionamento não consegue continuar e o término é definitivo, qual o motivo de não olhar para trás e, talvez, reconsiderar que o tempo possa ter mudado, as coisas podem ser melhores, uma chance pode ser dada?

Esta pergunta é muito mais difícil de responder. Realmente não consigo pensar em nada que vá além da explicação acima, afinal, se o relacionamento não deu certo da primeira vez, daria certo uma segunda vez? Considerando todos os términos que tive posso até afirmar que nunca ouve disposição dos outros para isto. Dos cinco namoros que tive apenas um deles realmente tentou fazer com que o fim não fosse definitivo.

E eis que me pego a pensar nele. De todos os motivos para terminar (mentiras, falta de amor, traição, mais mentiras) o único que talvez realmente não tenha sido um bom motivo tenha sido exatamente neste relacionamento. Quebra de confiança? Sim, claro que foi. Mas, apesar da assimetria de informações, não posso afirmar que tenha sido mais do que apenas alguns emails trocados, fotos e ligações. A distância também não permitiria que algo tivesse acontecido, mas, talvez nem importe. Ele foi o único que tentou até o último segundo voltar, fez de tudo para mostrar que me entendia e que estaria ali quando eu voltasse a o querer. Mas, talvez por um golpe do tempo, meu velho e querido amigo, as coisas não ocorreram como talvez ele imaginasse. O problema não foi falta de amor, o problema não foi – apesar de tudo – a quebra da confiança. O problema era minha juventude, esta que se dispersa com os anos. Eu era muito jovem, apesar de ter meus vinte e poucos, e não havia experimentado nada que a vida pode oferecer – ou pode retirar – não havia beijado tanto, não havia transado tanto, não havia ficado bêbado, não tinha feito aquilo que todos os outros pareciam fazer tantas vezes e, se eu continuasse naquele namoro, eu estaria renunciando a tudo isso. A escolha que se mostrava para mim era entre tentar viver uma vida comum ou construir uma vida ao lado de alguém. E eu era muito jovem, escolhi aproveitar minha vida, não que construir algo não seja aproveitar, mas como poderia construir algo que parecia ser tão definitivo com alguém antes de errar? Antes de me alegrar e decepcionar com a vida?

Não me arrependo do caminho que escolhi, ele trouxe experiência incríveis, das melhores e das piores. Alegrias, sustos, dramas, comédias, tragédias. Trouxe pessoas das mais variadas, das loucas as maravilhosas. Depois dele tive mais três namoros, todos eles muito bons, até o seu fim. Não me arrependo das minhas escolhas, mas, olhando para trás, percebo agora que apenas uma destas pessoas – talvez porque a segunda pessoa que poderia também fazer isto eu machuquei – foi o único que lutou para voltar a ficar comigo, até perceber que minha decisão era final e que sua luta era em vão.

De certa forma, considerando meu relacionamento com ele, considerando o quanto a gente se amava e tudo o que passamos juntos. Pensando em como éramos maduros e ao mesmo tempo infantis, pensando em quanto tempo durou – e até hoje uma marca que não foi ultrapassada – olho para trás e me pergunto se ele não foi um dos poucos que realmente me amou. Pouco cobrava, sempre estava junto comigo, me apoiava em tudo, me aceitava como eu era. É, talvez ele tenha sido um dos muito poucos que realmente me amou.

Talvez seja por isto que eu não olhe para trás. Não o medo de olhar e ver que errei, mas talvez o medo de olhar para trás e não conseguir encontrar algo assim olhando para frente.

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