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Archive for agosto \03\UTC 2010

Pois bem, já faz algum tempinho que não escrevo neste blog, e para aqueles que acompanham – que são poucos, mas bons – percebem uma mudança um pouco interessante no direcionamento da minha escrita, de discussões intermináveis sobre filosofia e vida passei para discussões sobre fatos quase que cotidianos, e minha última incursão foi uma análise breve sobre a deturpação da mídia.

É claro que eu poderia ter continuado nesta trilha, ter criado um blog com um nome mais fácil e ter divulgado em todo canto. Continuar a criticar a exploração da imagem de jovens desavisados et all. Alias, me mostraram uma atualização do site dos colírios onde se mostrava foto dos tênis dos garotos, bom, isso além de ser uma falta de criatividade total, falta de assunto para discussão, também abre uma vertenten para aqueles que tem fetiche por pés, não é? Qual é o site que mostra pés de garotos menores de idade? Adivinhem…

Desisti de escrever por um tempo, entrei uma depressão profunda – da qual não me recuperei totalmente – e desisti de tudo e de todos. Meu ponto alto foi um dia que era para ser maravilhoso, com meus amigos, festa e baladas e que terminou comigo chorando muito e discutindo – apesar de altamente bebâdo – sobre como me entendi como um niilista reativo que apenas gostaria de destruir todos os valores postos pela sociedade pela incapacidade de construir novos valores – ou os transvalorar – da minha própria vida.

Foi uma descoberta importante, um diagnóstico essencial. Discuti com meus amigos sobre as causas disso, os pqs daquilo e tudo mais. Eles me ajudaram bastante e fizeram de tudo para me apoiar e tentar me fazer ficar melhor, porém isso é algo que depende da própria pessoa (e de alguns remédios, os quais ainda não tive acesso).

Vejo com clareza uma sociedade agonizante, um sistema de crença e valores que tornam-se poeira em frente a nós. Vejo também um novo tipo de homem surgir, mas não o super-homem, ou além do homem, como Nietzsche discutia, mas sim uma espécie de sub-homem, o exato contrário daquilo que Nietzsche uma vez pensou. Um homem que não tem a vida como centro de gravidade, um homem que não tem vontade de poder, e nem poder de ter vontade.

Para cada lado que olho vejo isso, e isso me entristece. Faço parte do processo, todos fazemos. Porém, creio que ter consciência disso e não conseguir juntar forças para lutar é algo muito ruim, é claro que não lutaria pelo mundo ou pela humanidade, o faria apenas por mim, mas mesmo sendo algo por e para mim, não consigo o fazer.

Uma vez foi dito que Deus está morto, que nós o matamos. Também foi dito que o Homem está morto. Ousaria eu dizer que a vida está morta?

É algo muito ousado e complexo de se afirmar, demandaria diversos estudos genealógicos, arqueológicos entre vários outros estudos, porém, o que são os estudos se não a observação dos fatos?

A vida está morta! Não a vivemos… É isso que eu diria, e diria que isso se amplia de uma forma tão larga quanto o horizonte que nos cerca, horizonte entrecortado por tantos obstáculos que tudo nos parece perto e tudo nos parece longe. Temos vivido a vida? Ou temos passado por elas como meros mortais, entidades finitas em um árduo caminho de sofrimento e dor, sem sentido e sem razão?

Não temos tentado achar um sentido e razão na religião e percebemos que isso não existe? Não nos agarramos na ciência como forma da superação de todo mal e da suprema evolução? Não nos apoiamos em nossos trabalhos, nossos estudos, nossos amigos, namorados, famílias apenas para escapar da nossa própria vida?

Não temos viciados em trabalho, em jogos, em sexo, em tantas coisas diferentes? O que são esses vícios se não pontos de apoio? Se não bengalas que nos mantém em pé, mesmo que com dor, para enfrentarmos o mundo que nos cerca?

Não vamos aos bares todos os finais de semana, pois não aguentamos poucos segundos de solidão sem perceber a falta de sentido na vida? Não fazemos de tudo, incluindo blogs que criticam celebridades e anônimos, que repetem notícias já veiculadas, apenas para ver se nossa voz encontra um ouvido que a escute? Ou nesse caso, um texto que encontre um olho que a lê?

Não tentamos diariamente escapar da vida? Não tentamos não viver por “viver” em demasia?

Muitos diriam que soy louco, porém digo, louco sou, mas mais loucos são vocês que não enxergam aquilo que está a frente de todos os olhos. Não podemos viver sem trabalhar, sem sair, sem se divertir, sem ter amigos, família e namorados, vivemos em uma sociedade e temos que CONVIVER, porém o conviver tornou-se viver. As pessoas não vivem, elas convivem.

Torna-se interessante o uso do termo conviver, impressionei-me ao escrever. Vamos verificar o que o termo significa segundo o dicionário veremos que conviver significa dar-se bem, viver em harmônia ou então compartilhar do mesmo espaço, coexistir. A etimologia da palavra nos diz que a palavra vem do latim, convivere, em resumo: viver em comum.

Vivemos em comum, convivemos, mas não vivemos. Temos que estar entre outros, iguais ou desiguais para podermos prosseguir, aguentamos conviver, mas não aguentamos viver. Por isso vamos atrás de tantas distrações, de tantos apoios para nossas vidas, ou devo dizer, “co-vidas”, pois parecemos depender dos outros e das coisas para permanecer existindo. Isso não é viver, é apenas existir, e conviver com outras existências, o que irônicamente é outro significado de conviver: coexistir.

Bom, se entedermos que convivemos, coexistimos, mas não vivemos, fica a pergunta: Como viver? Ou então, uma mais fundamental, o que é a vida?

Não posso responder isso, e não seria tão louco de tentar, cada pessoas deveria entender como viver sua vida da melhor maneira, potencializar nossa vontade de poder, criar valores com base na nossa vida, viver como se tudo fosse retornar, transformar tudo aquilo que é naquilo que se quer que seja, tudo aquilo que foi no que se quis que fosse (seria essa a Redenção, Zaratustra?).

De qualquer forma, isso é apenas um blog, um espaço onde posso me expressar livremente, sem críticas (muito infelizmente, pois acho que é na crítica que temos a possibilidade de crescer), sem elogios, e também sem leitores.

Escrevo este post pois tive vontade, quis voltar a fazer algo que me faz bem, quero mostrar o que penso e o que sinto, independente do que possa se pensar. Quero expor algumas coisas, que muitos tem medo de expor. Quero exercitar a arte da escrita. Apenas isso…

Nietzsche está morto, Deus o matou! Foucault está morto, o Homem o matou! A morte está viva, nós a morremos!

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