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Archive for maio \27\UTC 2010

Ao passear pela Livraria Cultura e ao ver um livro sobre as obras completas de Edgar Allan Poe, recordei de um de seus poemas que sempre gostei muito, que muito dizia sobre o que havia passado e o que sentia. É um poema que poderia ser considerado triste, mas eu não o vejo desta forma, ele é sim forte, causa um certo impacto, mas é na verdade uma descrição que, talvez, servia ao autor, como serve para mim…

Alone – Edgar Allan Poe

From childhood’s hour I have not been
As others were; I have not seen
As others saw; I could not bring
My passions from a common spring.
From the same source I have not taken
My sorrow; I could not awaken
My heart to joy at the same tone;
And all I loved, I loved alone.
Then- in my childhood, in the dawn
Of a most stormy life- was drawn
From every depth of good and ill
The mystery which binds me still:
From the torrent, or the fountain,
From the red cliff of the mountain,
From the sun that round me rolled
In its autumn tint of gold,
From the lightning in the sky
As it passed me flying by,
From the thunder and the storm,
And the cloud that took the form
(When the rest of Heaven was blue)
Of a demon in my view.


Eu realmente não fui na infância como os outros, não via o que viam, não sentia o que sentiam… Eu era diferente por diversos motivos. Ao crescer, e ao me desenvolver, continuei sendo diferente, fui muitas vezes excluído, deixado para trás…

Demorei muito tempo para descobrir que ser diferente não significa uma sentença, mas apenas uma característica, e quando percebi isso comecei a mudar, não deixei de ser diferente, de pensar e sentir as coisas de forma diferente, mas comecei a aprender a conviver com outras pessoas, a gostar delas, a aprender a ser sociável e receptivo… E as pessoas começaram a me ver de outra forma, a me tratar de outra forma e tudo mudou para melhor…

O primeiro marco nessa mudança foi no segundo colegial, quando assumi que era gay… Eu esperava que todos fossem me odiar, mas foram receptivos e me tornei popular (mais por ser diferente do que por ter me tornado “igual”); O segundo marco foi na faculdade, já no segundo ano (final do) quando terminei meu namoro e precisava mudar completamente minha vida… Fiz muitos amigos durante essa época, dentro e fora da faculdade, me tornei tudo o que queria lá dentro, mas nem tudo o que esperava aqui fora…

Demorou muito tempo e muito deste tempo sozinho para perceber que eu não era tão ruim ou imperfeito como muitos faziam eu pensar, e isso levou ao terceiro marco, que foi quando aprendi que eu poderia fazer o que eu quisesse e com quem eu quisesse, tive noites muito produtivas, tanto em quantidade como qualidade…

Mas ainda estava sozinho, mesmo cercado por meus amigos, mesmo podendo fazer o que eu queria, me sentia sozinho…

O quarto, e mais recente, marco foi a mudança na perspectiva de pensamento que tive (e que postei várias vezes aqui sobre essa odisséia) e que me permitiu dar mais um passo no caminho da perfectibilidade (apesar de entrar em conflito com os pensamentos de certo autor =P) e desta mudança tive gratas surpresas, pensar de forma diferente me permitiu agir de forma diferente e…

… não tenho estado tão sozinho desde então…

(eu apenas quis escrever, não estava totalmente inspirado e paciência)

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É engraçado… Muitas pessoas pensam na filosofia como algo que somente tem relação com o pensamento, filosofar para muitos significa pensar sobre um determinado assunto. Muitas vezes o termo é utilizado de forma até depreciativa, parece que filosofar é se perder em um mundo de idéias sem nenhuma útilidade prática.

Também muitos acabam por entender a filosofia apenas como uma matéria que temos que estudar no ensino médio e em alguns primeiros anos de determinados cursos, algo novamente sem importância, que apenas está ali para cumprir um currículo ou para dar “idéias gerais” sobre determinados aspectos do curso (questões éticas e morais normalmente).

Acho extremamente importanto o estudo da filosofia (se não achasse não estaria estudando isso como uma especialização), e acho que a metodologia “histórica” que se utiliza é até satisfatória. Verificar por uma perspectiva muitas vezes cronológica o nascimento da filosofia na grécia, os pré-socráticos até a filosofia contemporânea é extremamente importante, conhecer o pensamento dos diversos autores é essencial, porém, assim como Kant uma vez disse que não se deveria ensinar a filosofia, mas ensinar a filosofar, entendo que é importante termos as duas coisas…

Devemos aprender o pensamento filosófico e seu desenvolvimento ao longo do tempo, ao mesmo tempo que devemos exercitar nossa razão para aprendermos a filosofar… Saber que Socrátes pensava isto, que Heidegger pensava aquilo é importante, mas e como nós pensamos? Como nós nos vemos no mundo e como nós vamos agir na realidade para a modificar de forma que ela se torne aquilo que esperamos, queremos, desejamos ou o que quer que seja?

Apesar de ter me tomado distância de minhas pesquisas e escritas sobre Nietzsche (por ter que escrever sobre Kant e outro artigo relacionado à economia e às relações internacionais) isso não significa que desisti de o estudar ou o compreender, mas mais importante do que tentar compreender o que ele escrever é utilizar aquilo que está escrito para me estabelecer como um ser que pensa e analisa as coisas.

As idéias de Nietzsche que postei aqui (eterno retorno, amor-fati), que são absurdamente complexas (assim como todo pensamento), não me deixam a mente. Ao discutir com familiares e amigos sobre tais conceitos muitos entenderam que eu acredito piamente no eterno retorno ou algo do genero. Ora, não é questão de acreditar em determinada coisa, mas sim de ter colocado minha vida em perspectiva de acordo com o que o conceito estava expondo.

Não acredito que a vida retornará eternamente em um ciclo sem fim da mesma forma e na mesma sequência, sem que nada mude, na verdade não estou a acreditar em nenhuma hipótese específicia sobre um além da vida. Mas o que fiz foi analisar minha vida, minhas ações passadas, atuais et futuras na perspectiva disto, e entendendo que as coisas aconteceriam da mesma forma eternamente resolvi utilizar então outro conceito, se realmente nada pudesse mudar em um ciclo eterno, que então que eu ame cada momento, que tudo o que eu passei seja aquilo que eu quis passar.

Mas, de novo, não creio que a questão seja o passado. A questão sempre será o presente, uma vez que o passado não pode ser alterado, e o futuro, assim que chegar, será presente. A realidade se dá no presente, que se torna passado instantaneamente. Ora, então chegamos a uma idéia muito interessante, se a idéia é transformar tudo o que foi naquilo que eu quis que fosse, tirado o passado que é imutável, eu apenas devo transformar tudo aquilo que é naquilo que eu quero que seja!

Se ao escrever este post eu estou transformando algo que é, pois é presente (diferente do texto acima, que uma vez digitado, já se tornou passado) em algo que eu quero que seja, todo o texto acima (passado) não é aquilo que foi, mas aquilo que eu quis que fosse…

Isso pode se dar em qualquer aspecto de nossas vidas, ao agir na realidade, e por obviedade agir no presente, e fazendo deste aquilo que nós queremos que seja, teremos como passado o que queriamos que fosse e o futuro (que é um conceito apenas, uma vez que nunca existirá com absoluta certeza) será aquilo que nós vamos querer que seja!

Parece-me muito lógico, muito simples, apesar de derivar de um pensamento complexo como o do eterno retorno e do amor fati, mas aqui não discuto o que o autor quis dizer ou significar, apenas ele, se vivo estivesse, poderia precisar aos detalhes o que quis dizer (apesar de que grandes estudiosos podem chegar muito próximo ao que na “realidade” significaria). Estou a discutir o que eu entendi dos conceitos e o que estou a aplicar na minha vida.

Tenho sim transformado tudo o que é naquilo que eu quero que seja (sendo absolutamente honesto não em todos os aspectos, mas em alguns pontos específicos), tenho feito de uma filosofia, de um pensamento, algo prático e tenho tido resultados interessantes…

Lembro-me que quando discutia com meus amigos o fato de querer fazer uma especialização em filosofia muitos diziam que eu ficaria muito mais depressivo do que era, afinal, eu estaria estudando pensamentos sobre o mundo e muitas vezes sobre as tristezas ou problemas deste mundo, e a idéia geral era que isso talvez não me fizesse muito bem. E grata surpresa tive ao encontrar com uma grande amiga e discutir com ela sobre estes conceitos e após apresentar alguns fatos que derivavam destas minhas “novas concepções” ela disse que talvez esse curso estivesse fazendo um bem maior do que todos (e eu incluso) esperavam.

Outra surpresa tive, alias anterior ao narrado acima, quando ela disse sentir que eu estava feliz, e isso é algo que raramente eu escuto. Devemos entender que estar feliz nesta caso é algo muito mais ligado ao conceito de felicidade (estado de consciência plenamente satisfeita) do que ao conceito de alegre, afinal, muitas vezes as coisas se confudem, muitas vezes estamos entre amigos rindo e nos divertindo, estamos alegres, rindo, gargalhando, aproveitando a noite e a companhia, porém podemos não estar felizes.

E escutar isso desta amiga, que é uma das mais perceptivas nestes aspectos, foi muito importante para mim, e foi muito mais importante ouvir esta “constatação” antes da discussão sobre estes conceitos ou dos exemplos. Seria muito fácil para alguém falar que eu estou feliz por tudo o que acontece, mas dizer que eu estou feliz, independente do que acontece (uma vez que não era do seu conhecimento) é algo mais complexo.

Tendo estado sim mais feliz, mais alegre, mais contente. Nem tudo está perfeito, faltam muitas coisas, porém o que tenho tido, feito e tudo mais está sendo o suficiente para me levar a admitir que eu estou mais feliz. Não importam porcentagens ou quantificações, o importante é novamente sentir…

E estava eu em uma das grandes mecas da intelligentsia brasileira discutindo justamente isto com uma pessoa. E não posso mentir esta pessoa está se tornando especial.

E eu disse a ela que eu não sei o que o futuro nos reserva, mas que minha idéia, neste momento e nestes momentos que estamos passando é de que se eu tiver que retornar na mesma vida eternamente e nesta vida tudo sendo absolutamente igual, que eu passe por tudo isso (estes momentos) novamente, fazendo aquilo que eu quero que seja feito, aproveitando da melhor forma, transformando tudo naquilo que eu quero, pois se tudo acabar não haverá problemas, tudo foi aquilo que eu quis que fosse (e não teria medo de repetir eternamente) e se continuar, então tudo será aquilo que eu quero que seja (e que eu vou querer retornar eternamente).

Confesso que é algo um pouco estranho de explicar para alguém, até mesmo para entender, mas talvez não haja problemas, afinal, o importante é tentar ser feliz…

Isto é a vida? Então, uma vez mais!

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